A NR-1 entrou em vigor em maio de 2026. A maioria das empresas chegou ao prazo sem os riscos psicossociais documentados no PGR. O que isso significa para RH e jurídico.
O TRT-9 manteve uma multa histórica de R$ 242 milhões em fevereiro de 2026. O precedente mudou o cálculo de risco para RH e jurídico em todo o Brasil.
LER e DORT respondem por 1 em cada 3 afastamentos no Brasil. A NR-17 e o PGR agora exigem avaliação ergonômica formal. Empresas que saíram na frente já colhem resultados.
O INSS registrou 6.985 casos de burnout em 2025, quatro vezes mais que em 2023. Com 546 mil afastamentos por saúde mental, o dado exige resposta organizacional, não só clínica.
Esse é o perfil médio dos afastamentos por saúde mental no Brasil. Um dado que revela onde as políticas de bem-estar ainda não chegam, e por que a equidade de gênero é pauta de saúde ocupacional.
O filme de Coralie Fargeat, Palma de Ouro em Cannes, fala de desempenho, corpo e descarte. O que a ficção científica nos diz sobre como o trabalho trata o corpo que envelhece.
"Maio de 2026 marcou o início da fiscalização ativa da NR-1, e poucas empresas chegaram preparadas. Nesta edição, reuni notícias publicadas em fontes verificadas (MTE, INSS, TRT-9, Valor Econômico) e acrescentei perspectiva especializada sobre o que cada dado significa na prática. Também trouxe o que o cinema e as séries do momento têm a dizer sobre o corpo no trabalho. Cada card traz a fonte original para você checar diretamente."
Adriana Miranda · Terapeuta Ocupacional, Ergonomista e Fundadora da AMS · São Paulo, Junho 2026
A atualização da NR-1 tornou obrigatória a gestão de riscos psicossociais: estresse, assédio, burnout e pressão excessiva entram agora no Programa de Gerenciamento de Riscos. A fiscalização começou em maio de 2026. Para a maioria das empresas, o prazo já passou.
O TRT-9 manteve, em fevereiro de 2026, uma multa histórica por descumprimento da Lei de Cotas. O precedente mudou o cálculo de risco para muitas empresas.
De 1.760 casos em 2023 para 6.985 em 2025. O que isso revela. O que sua empresa pode fazer antes do próximo ciclo.
Inclusão não é gesto de bondade. É decisão estratégica, ancorada em dado, em legislação e em resultado mensurável de negócio.
Enquanto grandes corporações americanas recuavam em políticas de diversidade, 52,8% das empresas brasileiras não sofreram nenhum impacto. 6,6% reforçaram compromisso. O que explica essa diferença.
64% dos afastamentos por saúde mental em 2025 são de mulheres. Não é coincidência: é estrutura. O que os dados do INSS revelam sobre quem adoece no trabalho e por quê.
Gaps de emprego, CEP, nome, escolaridade: dados que carregam viés antes de qualquer conversa. O Processo Seletivo Invertido inverte a lógica e muda os resultados.
A NR-1 integrou saúde mental ao PGR. Isso muda como a Análise Ergonômica do Trabalho precisa ser conduzida, e quem pode assiná-la legalmente.
Mais empresas contratam pessoas neurodivergentes. Poucas sabem o que fazer depois. Ajuste de comunicação, estrutura de tarefas, ambiente sensorial: o que muda a permanência.
Nem toda pessoa com deficiência é elegível para a Lei 8.213/91. O laudo define isso e precisa ser assinado por profissional habilitado. Onde as empresas mais erram.
O filme de Coralie Fargeat, vencedor do Oscar de Roteiro Original 2025, usa o horror corporal para falar sobre o que o mercado faz com mulheres que envelhecem e com qualquer corpo considerado "improdutivo". Uma leitura urgente para quem trabalha com saúde no trabalho.
A série de ficção científica da Apple TV+: trabalhadores cujas memórias são cirurgicamente separadas entre "dentro" e "fora" do escritório, que virou metáfora acadêmica para discussões sobre dissociação, burnout e controle organizacional. Pesquisadores já citam em papers.
O relatório "Disability Inclusion Imperative" (Accenture + Disability:IN + AAPD, 2023-2025) mostra que empresas com maturidade em inclusão de PcD têm 1,6× mais receita, 2,6× mais lucro líquido e 25% mais produtividade por colaborador. Os dados que mudam a conversa com o board.
A atualização que tornou obrigatória a gestão de riscos psicossociais: o que muda, quem fiscaliza e o que documentar agora.
Em maio de 2026, a fiscalização ativa da NR-1 atualizada começou. Para a maioria das empresas brasileiras, o prazo já era 2025, e muitas chegaram ao período de enforcement sem o programa adequado. O que a norma exige especificamente é o reconhecimento, a avaliação e o controle de riscos psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Não é retórica. É obrigação legal com penalidade prevista. E mais: é o reconhecimento formal de que estresse crônico, assédio moral, sobrecarga, falta de autonomia e pressão por metas são riscos ocupacionais, da mesma categoria que agentes químicos ou físicos.
A NR-1, na versão anterior, era genérica o suficiente para permitir que empresas ignorassem fatores psicossociais sem infração formal. A atualização encerrou essa brecha: o PGR passa a exigir explicitamente a identificação de riscos relacionados à organização do trabalho, às relações interpessoais e ao conteúdo do trabalho.
Isso significa que sua empresa precisa mapear:
Este é o ponto em que a maioria dos gestores de SST tem dúvida. A avaliação de riscos psicossociais não é atribuição exclusiva de médico do trabalho ou engenheiro de segurança. O Terapeuta Ocupacional, por formação, está habilitado para conduzir esse tipo de análise, especialmente quando ela envolve a relação entre organização do trabalho, capacidade funcional e impacto na saúde.
A Análise Ergonômica do Trabalho (AET), quando bem conduzida, já captura boa parte desses elementos. O problema é que muitas AETs foram historicamente reduzidas a laudos de postura e mobiliário, quando a norma pede muito mais.
A consequência do descumprimento não é apenas a multa administrativa. É o aumento do risco trabalhista, a deterioração do clima e, em casos extremos, a responsabilização civil ou criminal de gestores por adoecimento demonstrável do trabalhador.
A pergunta que todo RH precisa responder hoje: nossa empresa tem um PGR que inclui, de forma explícita e auditável, a gestão de riscos psicossociais? Se a resposta for não, ou "acho que sim, mas não tenho certeza": o problema já existe.
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