De 823 casos em 2021 para 7.595 em 2025. O INSS registrou mais de 534 mil afastamentos por transtornos mentais no ano passado. O dado não é tendência: é colapso sistêmico. E a NR-1 passou a exigir resposta formal.
A fiscalização com poder punitivo começou em maio de 2026. O que os primeiros auditores encontraram nas empresas brasileiras, e o que ainda falta nos PGRs entregues às pressas.
Em 2026, o valor máximo da multa por descumprimento da Lei de Cotas chegou a R$ 349.978 por vaga não preenchida. O eSocial tornou o cruzamento de dados automático e a fiscalização remota.
A NR-17 passou a incluir o teletrabalho: o empregador continua responsável pela ergonomia mesmo fora do escritório. A maioria das empresas ainda não tem AET para trabalho remoto.
O Q1/2026 registrou 105.874 afastamentos por transtornos mentais, queda de 3% frente ao mesmo período de 2025. É o primeiro sinal de resposta. Mas o patamar ainda é o mais alto da história.
A série que transformou a separação trabalho-vida em ficção científica está de volta. O que "Ruptura" nos diz sobre dissociação, controle organizacional e burnout. Pesquisadores já a citam em papers acadêmicos.
"Agosto 2026. Três meses depois do início da fiscalização ativa da NR-1, o cenário é desigual: algumas empresas correram para regularizar o PGR, outras ainda tratam o risco como abstrato. Enquanto isso, um número me parou esta semana: burnout cresceu 823% em quatro anos no Brasil. Não é tendência. É colapso sistemático, visível nos dados da Previdência Social. Nesta edição, reuni o que há de mais atual: da multa de R$ 350 mil por vaga PcD à obrigação de AET para home office, com fontes verificadas e perspectiva prática para quem precisa agir, não só ler."
Adriana Miranda · Terapeuta Ocupacional, Ergonomista e Fundadora da AMS · São Paulo, Agosto 2026
De 823 casos registrados pelo INSS em 2021 para 7.595 em 2025. Mais de 534 mil brasileiros afastados por transtornos mentais no ano passado, o maior número da série histórica. O dado não é tendência: é estrutura. E a NR-1 passou a exigir resposta formal de toda empresa com CLT.
O eSocial tornou a fiscalização remota e automática. O valor teto da multa por vaga não preenchida chegou a R$ 349.978,53. O custo de não cumprir nunca foi tão alto.
A NR-17 inclui o teletrabalho. O empregador responde pela ergonomia fora do escritório. A maioria das empresas ainda não tem esse documento.
Inclusão não é gesto de bondade. É decisão estratégica, ancorada em dado, em legislação e em resultado mensurável de negócio.
A Lei 14.442/2022 e a Portaria MTP 423 consolidaram a responsabilidade patronal sobre ergonomia no teletrabalho. Sem AET para trabalho remoto, a empresa está exposta a afastamentos por LER/DORT e autuações do MTE.
É o primeiro recuo da série histórica após anos de crescimento ininterrupto. 105.874 afastamentos no primeiro trimestre de 2026, 3% abaixo do mesmo período de 2025. Resultado da NR-1, do ESG ou coincidência?
Não basta contratar: é preciso informar corretamente, com laudos válidos e nos prazos do eSocial. Empresas com mais de 1.000 colaboradores precisam de 5% do quadro preenchido por PcD ou reabilitados do INSS.
Desde maio de 2026, a fiscalização da NR-1 pode gerar autos de infração. O que os primeiros relatórios mostram sobre a qualidade dos PGRs entregues, e quais falhas aparecem com mais frequência.
O DIAP listou as reformas estruturais que especialistas em saúde mental e trabalho colocam como prioritárias. Da redução de jornada ao suporte psicológico institucional: o que muda quando a empresa para de tratar sintoma e ataca a causa.
A validade do laudo médico para fins da Lei 8.213/91 voltou a ser alvo de questionamentos em 2026. O que mudou nos critérios de elegibilidade, quem pode assinar e por que laudos desatualizados viram passivo trabalhista.
A série da Apple TV+ que virou metáfora acadêmica para dissociação, burnout e controle organizacional voltou às filmagens em julho de 2026. Cogonada dirige; Ben Stiller produz. O que "Ruptura" nos diz sobre a separação trabalho-vida que muitos trabalhadores vivem sem cirurgia.
O horror corporal de Coralie Fargeat (vencedor do Oscar de Roteiro Original 2025) fala de produtividade, envelhecimento e descarte. O que a ficção científica ensina sobre como o mercado trata corpos considerados "improdutivos".
Empresas com maturidade em inclusão de PcD têm 1,6× mais receita, 2,6× mais lucro líquido e 25% mais produtividade por colaborador (Accenture + Disability:IN + AAPD, 2023–2025). Os números que transformam o argumento de compliance em estratégia de negócio.
De 823 para 7.595 casos registrados pelo INSS entre 2021 e 2025. O dado é alarmante, mas o número real é maior. E a obrigação de resposta agora está na lei.
O Portal Afya publicou em 2026 um dado que deveria estar em toda reunião de RH e diretoria: casos de burnout registrados pelo INSS cresceram 823% entre 2021 e 2025. De 823 para 7.595 casos. No mesmo período, os afastamentos por saúde mental como um todo saltaram para mais de 534 mil, o maior número da série histórica da Previdência Social.
Mas há um problema metodológico que amplifica o fenômeno real: burnout é um diagnóstico que ainda chega tarde. Muitos casos de esgotamento são registrados como episódio depressivo (F32) ou transtorno de ansiedade (F41) antes de receber o código Z73.0 (problemas relacionados ao ritmo de vida acelerado). O crescimento de 823% representa o que o sistema consegue enxergar, não o total.
Burnout não é fraqueza individual. É resposta fisiológica e psicológica a condições de trabalho insustentáveis. A ciência já estabeleceu há décadas os fatores que produzem esgotamento: carga excessiva, baixa autonomia, ausência de reconhecimento, injustiça percebida, conflito de valores e ruptura de comunidade. Quando esses fatores se acumulam sem intervenção organizacional, o adoecimento é previsível e evitável.
O que mudou em 2024–2026 não foi a natureza humana. Foi a intensificação dessas condições: mais reuniões fora do horário, mais demandas por disponibilidade constante, mais incerteza econômica e menos clareza sobre entregas. O home office, para muitos, não separou trabalho e vida: fundiu os dois em detrimento da saúde.
A partir de maio de 2026, a fiscalização punitiva da NR-1 atualizada começou. A norma agora exige que os riscos psicossociais sejam identificados, avaliados e controlados no PGR, na mesma categoria dos riscos físicos, químicos e ergonômicos. Não é mais recomendação. É obrigação com auto de infração previsto.
A avaliação de riscos psicossociais não é atribuição exclusiva de médico do trabalho ou engenheiro de segurança. O Terapeuta Ocupacional, por formação, está habilitado para conduzir esse tipo de análise, especialmente quando ela envolve a relação entre organização do trabalho, capacidade funcional e impacto na saúde. A Análise Ergonômica do Trabalho (AET), quando conduzida com profundidade, captura boa parte dos fatores psicossociais. O problema é que muitas AETs ainda são reduzidas a laudos de postura e mobiliário.
A consequência do descumprimento não é apenas a multa. É o aumento do passivo trabalhista, a deterioração do clima organizacional e, em casos extremos, a responsabilização civil de gestores por adoecimento demonstrável do trabalhador.
A pergunta que todo RH precisa responder agora: nossa empresa tem um PGR que inclui, de forma explícita e auditável, a gestão de riscos psicossociais? Se a resposta for "não" ou "acho que sim, mas não tenho certeza", o problema já existe.
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